No TED Talk deste vídeo, Jeff Speck apresenta sua maior preocupação: os Estados Unidos da América, sobre como o país pode ser mais resiliente, saudável e sustentável.

Jeff traz essa discussão preocupado na forma como os norte americanos influenciaram o crescimento das cidades ao redor de todo o mundo em direção aos subúrbios, citada como a pior ideia que já se teve, o "sonho americano".

Sua preocupação em torno da expansão em direção ao subúrbio se dá pela reorganização do território em prol do uso automóveis, que já foram vistos como um símbolo de liberdade, hoje representa nada mais que um emissor de gases, engarrafamentos, uma ferramenta de ameaça à saúde pública que muitos de nós necessitamos apenas para viver as nossas vidas diárias.

Porém, Jeff aponta que há uma solução: tornar as cidades mais caminháveis. Jeff também cita que apesar de ele ter argumentos do ponto de vista de um planejador urbano, esses não terão tanto impacto quanto os argumentos que ele aprendeu de economistas, epidemiologistas e ambientalistas.

Economia: nos anos 70, o americano típico gastava em torno de um décimo (10%) da sua renda em transporte, hoje gasta-se cerca de um quinto (20%), o número de estradas nos Estados Unidos mais que dobrou e a sociedade gasta mais hoje com transporte do que com habitação.

Jeff também aponta sua preocupação com um fenômeno que ele chama de "drive till you qualify" (dirija até que você tenha condições), em que explica a necessidade das família estarem cada mais na periferia, distantes do centro da cidade e dos seus trabalhos, para encontrar uma habitação com a qual possam pagar, até que essas famílias se vejam em situação na qual elas devem dirigir por duas, três, quatro horas, para um dia enfrentar a alta dos combustíveis.

Portland seguiu uma direção contrária da grande maioria das cidades. Enquanto as cidades americadas investiram em crescimento em direção as periferias e autovias, Portland investiu em infraestrutura para bicicletas e biciletários, essas decisões mudaram completamente o modo de vida dos seus habitantes, reduzindo as distâncias viajadas e aumentando a qualidade de vida. Hoje, os habitantes de Portland dirigem 20% a menos que a média das demais cidades americanas.

O que está acontecendo de fato, é que os Portlanders estão deixando de gastar dinheiro em transporte - e de fato 85% desse dinheiro não beneficia a economia local - e estão gastando mais em recreação, especialmente livrarias e strip clubs. O que verifica-se é que a população de Portland tem aumento consideravelmente por pessoas que buscam melhor qualidade de vida, especialmente universitários jovens.

De um lado a cidade de Portland está fazendo seus residentes economizarem dinheiro, e de outro está se tornando uma cidade na qual as pessoas querem morar. Então, a melhor estratégia economica que uma cidade pode ter não é atrair grandes coorporações, clusters de biotecnologia, clusters médicos ou clusters aeroespaciais, mas se tornar um local onde as pessoas queiram estar.

Saúde: nos anos 70, um a cada dez americanos era considerado obeso, agora um a cada três é considerada obesa, e os outros dois terços é considerada acima do peso. De acordo com o Center for Disease Control, um terço das crianás nascidas após aos anos 2000 irá contrair diabetes, caracterizando a primeira geração de crianças que tem previsão de viver menos que os pais.

Jeff cita que a crises de saúde pública que se ouve falar de fato é uma crises de planejamento urbano, e que no design de nossas está a cura. Sabemos que dietas afetam o peso, e que o peso afeta a saúde, porém só começamos a reconhecer a inatividade de nossos cidadões, e como essa inatividade se relaciona com o peso de nossos cidadões, quando percebemos que dirigir apenas contribui para aumentar esse peso. Jeff também cita um estudo britânico que conclui que a relação entre peso e inatividade é muito maior que a inatividade entre peso e dieta.

Então, temos não só estudos que relacionam a saúde e o peso das pessoas com a inatividade, mas também a saúde e o peso com onde você reside. Você em uma cidade mais ou menos caminhável? Em San Diego foi utilizado o Walk Score (pontuação de caminhada) para avaliar o quão caminhável são as distintas regiões de uma cidade e chegou-se a conclusão que em regiões menos caminháveis os cidadões eram 60% mais prováveis de estarem acima do peso.

Além disso, Jeff lembra os ouvintes que nos Estados Unidos há uma crise asmática e que cerca de 14 americanos morrem todos os dias por causa de asma, três vezes mais do que nos anos 90, e se responsabiliza, em grande parte, as emissões dos veículos motorizados.

Por fim, acidentes de trânsito significam o maior matador de cidadões saudáveis dos Estados Unidos. As pessoas acreditam que é um risco natural aceitável quando se está nas estradas, porém nos Estados Unidos 12 a cada 100 mil pessoas irão morrer até o final do ano, na Inglaterra esse número cai para 7, no Japão para 4. Além disso, Jeff aponta alguns exemplos de cidades americanas, como New York City e San Francisco, e Portland 3 a cada 100 mil, e Tulsa 14 a cada 100 mil, Orlando 20 a cada 100 mil, e frisa por fim que não é se você esta nas cidades ou não, mas sim se a sua cidade foi planejada para os carros ou para as pessoas. Porque se acidade é planejada para os carros, ela é muito boa esmagar uns contra os outros.

Meio ambiente: o movimento ambientalista norte americano iniciou-se vilanizando as cidades, então os americanos, bucolicamente, se mudaram para as áreas mais distantes para vivenciar a natureza e foram construídos os subúrbios, porém já discutimos as consequências desse movimento.

Realizando um mapeamento das emissões de gás carbônico nos estados unidos verifica-se um mapa similar a uma visão noturna do país, em que as regiões mais sinalizadas são as que tem mais concentração de luzes, as cidades. Mais emissões nas cidades e menos emissões nos subúrbios. Isso porque medimos emissões de gás carbônico por área, mas e se medíssemos por família? Medindo por famílias, verificou-se exatamente o contrário, as centrais com menos e as regiões de subúrbio com mais emissões, seguindo a lógica do "drive till you qualify".

Assim, temos pessoas como Ed Glaeser dizendo que somos uma espécie destrutiva, se você ama a natureza, a melhor coisa que se faz é ficar longe dela, mude-se para a cidade, quanto mais densas melhor. Cidades mais densas consomem menos combustíveis fósseis e menos energia.

Jeff finaliza dizendo que estamos tentando ser verdes da forma errada, grande partes desses esforços se dão no sentido de um acessório, dizendo "o que eu posso adicionar na minha casa, que pode tornar meu estilo de vida mais sustentável?", painéis foto-voltáicos, lâmpadas de LED, sistema solar de aquecimento de água, vasos sanitários com duas descargas distintas, piso de bambu, e etc. Entretanto, todas essas inovações somadas, contribuem apenas uma fração do que mudar-se para um bairro mais caminhável distante três quarteirões de uma estação de metro no coração da cidade pode contribuir para uma vida mais sustentável.

Por fim, Jeff pergunta "Ser mais sustentável é o que lhe dá maior qualidade de vida?" e finaliza dizendo que a mesma coisa que o torna mais sustentável é o que lhe dá maior qualidade de vida, e que isso é viver em uma cidade mais caminhável.

Confira abaixo o vídeo da apresentação de Jeff:

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