A redução dos limites de velocidade nas vias da capital paulista trouxeram muito o que falar durante a administração do ex-prefeito Fernando Haddad, porém o retorno dos limites de velocidade pelo atual prefeito João Dória está dando mais o que falar.

Parte da campanha eleitoral de Dória, aumentar os limites de velocidade não tardou a surgir no contexto paulistano. Porém, a decisão do prefeito foi barrada no último dia 20 pela justiça de São Paulo por uma liminar, e no último dia 24 essa liminar foi derrubada, permitindo o aumento das velocidades nas vias expressas e locais.

O Movimento Paulista de Segurança no Trânsito apresenta dados que exprimem clara redução de 15,1% no número de óbitos em acidentes de trânsito, entre os anos de 2016 e 2015. Porém, há sempre questionamentos sobre a se há bases reais para comparação entre os anos, já que outras podem ter sido as interferências nas reduções do número de mortes no trânsito.

Existem inúmeros estudos e artigos disponíveis que tratam deste assunto, tanto da fatalidade em acidentes de trânsito para o motorista e/ou passageiros, quanto para os pedestres. Em suma, o aumento de velocidade ocasiona uma redução do tempo disponível para reação do motorista, uma velocidade de impacto mais elevada, e consequentemente maiores danos.

Um estudo interessante é o Impact Speed and a Pedestrian’s Risk of Severe Injury or Death (velocidade de impacto e o risco de danos severos ou morte ao pedestre) da Foundation for Traffic Safety dos Estados Unidos. Esse documento apresenta um histórico dos acidentes de trânsito no qual houve o ferimento severo ou a morte do pedestre envolvido, considerando ferimento severo aquele com pontuação igual ou superior a quatro na Abbreviated Injury Scale (AIS) que pode em até 50% dos casos levar a morte.

Um dos resultados deste estudo é a probabilidade de ferimento severo ou morte em função da velocidade do veículo e a idade do pedestre. Esse resultado foi estudado com base em dados colhidos entre os anos de 1994 e 1998 e é apresentado na figura abaixo.

Probabilidade de ferimento severo e morte do pedestre em função da velocidade do veículo

Figura - Probabilidade de ferimento severo e morte do pedestre em função da velocidade do veículo. Linha pontilhada: probabilidade de morte, linha cheia: probabilidade de ferimentos severos.

Com base nesses dados, pode-se perceber que a susceptibilidade a ferimentos e morte aumenta conforme a idade, porém, apesar de não apresentado neste gráfico, é possível deduzir que a susceptibilidade de crianças e adolescentes seja superior a de pessoas em vida adulta, portanto se encontram entre as curvas da imagem acima ou superior a curva de pessoas com 70 anos.

Assim, o aumento das velocidades nas marginais significa um aumento da possibilidade de ferimentos severos e morte, em outras palavras um aumento do número de mortes, o que pode ser esperado para este ano de 2017 e anos consecutivos. Então, a decisão do atual prefeito João Dória é melhor representada pela figura abaixo originalmente publicada pelo Jornal G1 e alterada pela Genos Consultoria.

Mudanças de velocidade nas Marginais Pinheiros e Tietê e riscos oferecidos aos pedestres

Figura - Os novos limites de velocidade das Marginais Pinheiros e Tietê e os riscos para pedestres. Riscos provenientes do choque causados por veículos pesados são maiores.

Resta saber se o prefeito João Dória vai esperar esses acidentes se tornarem dados em uma papel para retroceder com sua decisão a respeito dos limites de velocidade nas vias da capital ou se vai se ater a suas promessas eleitorais e assumir o risco às vidas paulistanas.

Além disso, há aquele argumento sem fundamento de que "quem mata é a pessoa e não a velocidade", vale ressaltar que o motorista é responsável pelos seus atos, pelo veículo e pela velocidade que exerce, independente se está acima ou abaixo da velocidade máxima permitida na via, logo a escolha que leva a morte no trânsito é deste, o motorista. Não se impede um assassino por proibi-lo de matar.

Por fim, deixo as perguntas para reflexão: e você cidadão, você exerce a sua cidadania? Você preza pelo bem estar público e de sua sociedade? Você está dispostos a se responsabilizar pela morte de um pedestre por um acidente de trânsito causado por você? E se fosse uma pessoa querida, um filho, uma irmã, ou mesmo você?

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